top of page

O paradoxo das férias: quando aprender descansa mais do que parar

Em 2024, tive a oportunidade de tirar férias do trabalho para me desenvolver em uma imersão executiva em uma das melhores escolas de negócios dos Estados Unidos.


Na época, fiz uma enquete no Instagram com uma pergunta simples e provocativa:


👉 Usar férias para estudar ainda pode ser considerado férias?


O resultado? 68% responderam que sim.


Hoje, olhando em retrospecto, vejo que foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Além do aprendizado formal, conheci uma nova cultura, fiz amizades que levo comigo até hoje e aperfeiçoei um idioma. Tudo isso enquanto me sentia genuinamente recarregada, curiosa e viva.


O que eu não sabia naquele momento é que essa escolha pessoal passaria a ter nome, conceito e despontaria como uma tendência global entre profissionais do futuro — inclusive com um termo próprio, cada vez mais popular na indústria de viagens: skillcations.


Pois é. As férias dedicadas ao desenvolvimento de novas habilidades estão ganhando espaço entre pessoas que buscam experiências que vão além de sombra e água fresca. A proposta é unir descanso, curiosidade e crescimento, explorando novos interesses, atualizando competências e ampliando repertório — seja aprendendo um novo idioma, participando de um retiro de yoga, fazendo uma oficina de culinária, mergulhando em um curso executivo ou até se aventurando em aulas de surf.


A lógica é simples (e poderosa): colocar a mente em movimento em um contexto diferente renova a motivação e abre caminhos inesperados na vida acadêmica e profissional.

A ciência sugere que o descanso mais profundo nem sempre vem de parar completamente, mas de nos envolver em experiências de aprendizado ativo. Atividades que nos desafiam, despertam curiosidade e exigem presença reduzem a ruminação mental e ampliam a sensação de bem-estar (muitas vezes mais do que simplesmente “não fazer nada”).


Falo por experiência própria: você dificilmente pensa no trabalho enquanto aprende um esporte novo. Já enquanto lê um livro na praia, a mente costuma passear longe...



Por que aprender pode relaxar mais do que apenas descansar


O aprendizado ativo durante as férias traz pelo menos três benefícios importantes:


1️⃣ Sono e descanso mais profundos: após o esforço físico ou mental, o corpo tende a relaxar com mais qualidade.

2️⃣ Desconexão real do estresse: quando estamos concentrados em algo novo, sobra menos espaço mental para preocupações com o trabalho.

3️⃣ Sentimento de conquista: você volta para casa não só com memórias, mas com novas habilidades — o que fortalece a autoconfiança e a sensação de energia.


Claro, nem tudo são flores. Especialistas alertam para o risco da linha tênue entre skillcation e workcation. Quando o aprendizado vira obrigação, o efeito pode ser o oposto: mais cobrança, mais esgotamento.


Por isso, a palavra-chave aqui é intenção.


Escolha experiências alinhadas ao seu prazer, às suas curiosidades e ao que faz sentido para você — e não apenas às expectativas do mercado. Quando bem planejadas, as skillcations se tornam uma pausa produtiva e genuinamente revitalizante, capazes de expandir horizontes, enriquecer a formação e inspirar novos movimentos de carreira.


“O mundo é a verdadeira sala de aula. O tipo de aprendizado mais gratificante e importante é aquele que acontece pela experiência, vendo algo com nossos próprios olhos.”  Jack Hanna

E você? Já viveu um período de descanso em que voltou não apenas descansado, mas recarregado de uma maneira completamente diferente?


Talvez isso também tenha sido uma skillcation — só que sem nome ainda.

 
 
 

Comentários


bottom of page