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Não existem duas versões de você


“Você precisa aprender a separar a vida pessoal da vida profissional”, disse um líder que tive no início da minha carreira.


Como se fosse possível deixar emoções do lado de fora quando alguém está prestes a perder um familiar. Como se o cansaço físico e mental de se viver e ter que se deslocar em uma cidade como São Paulo não atravessasse as infinitas reuniões. Como se relações difíceis com pares, líderes e clientes terminassem quando o expediente acaba.


Te lembra alguma coisa?


Pois é. Tudo isso acontece na série Ruptuta que, apesar de ser uma ficção distópica, talvez não esteja tão distante da nossa realidade.


No último RD Summit, a fala da Flavia da Veiga me deixou com uma reflexão importante: felicidade e bem-estar não surgem quando a vida finalmente “entra nos trilhos”. Essa construção acontece na maneira como atravessamos o que é imperfeito, difícil e real.


E isso também vale pro trabalho.



A empresa não é responsável por fazer os colaboradores felizes. Mas também não pode, e não deveria, ser mais uma ofensora da nossa saúde mental.


Porque bem-estar nunca depende de um único fator, mas sim do encontro de três dimensões:


1. Autorresponsabilidade. Os hábitos, limites e autoconsciência. O que cada pessoa escolhe cultivar dentro de si.


2. Relações. As conexões que construímos e que geram pertencimento, confiança e apoio.


3. Sistema. O ambiente que ajuda (ou dificulta) tudo isso a existir. A forma como o trabalho é organizado, como a liderança atua, como a urgência é criada e como as pessoas são tratadas.



Ao longo dessa série, escrevi sobre burnout, pertencimento, liderança, cultura e bem-estar.


E se pararmos pra analisar, todos os temas chegam sempre no mesmo ponto:


Não existem duas versões nossas. A que trabalha e a que vive são a mesma pessoa.


Que a gente construa uma vida onde não seja preciso se dividir para continuar funcionando.



Porque bem-estar não é bônus.

É base.



 
 
 

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