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O que eu finalmente entendi sobre performance e exaustão


Durante muito tempo, um incômodo me acompanhou em diferentes fases da minha carreira. Levei anos para conseguir entender e nomear aquilo que eu via se repetir em diferentes organizações: empresas falando cada vez mais sobre performance e pessoas cada vez mais cansadas.


Essa percepção começou ainda quando eu atuava como advogada, acompanhando conflitos trabalhistas que, na maioria das vezes, não eram apenas jurídicos; eram humanos.


Foi também um dos fatores que motivaram minha transição de carreira para HR Business Partner. A partir dali passei a acompanhar mais de perto líderes, equipes e culturas organizacionais.


 Mas o paradoxo continuava presente.


Recentemente, em busca de respostas mais estruturadas para essa inquietação, participei da certificação internacional Chief Wellbeing Officer (CWO), realizada em São Paulo pela Reconnect em parceria com a Happiness Business School e conduzida por Renata Rivetti e Aline Freitas. 



Foram três dias intensos de trocas com profissionais de diferentes áreas — de médicos a engenheiros — todos movidos por uma pergunta central:

Como construir sistemas de trabalho que não esgotem as pessoas enquanto elas tentam ter um bom desempenho?

Essa pergunta nos leva a um conceito que muitas vezes é mal compreendido: o bem-estar no trabalho.

 

Quando se fala em bem-estar organizacional, ainda é comum que ele seja associado a programas pontuais ou a benefícios corporativos. Mas a discussão hoje vai muito além disso.

 

É a forma como o trabalho é vivido no dia a dia: nas decisões que definem prioridades, na forma como a urgência é criada, no comportamento das lideranças e, sobretudo, no impacto que o trabalho tem na vida das pessoas fora dele.


Em resumo? Cultura.

 

Uma palavra pequena, mas que não se transforma por meio de iniciativas isoladas. Cultura é construída todos os dias, nas escolhas que organizações e líderes fazem sobre como o trabalho deve acontecer.

 

Talvez por isso aquele paradoxo que mencionei no início hoje faça mais sentido para mim.

 

A questão não é escolher entre performance ou bem-estar.

 

O verdadeiro desafio é construir organizações capazes de sustentar resultados sem esgotar as pessoas que os produzem.

 

No fim do dia, empresas sustentáveis só existem quando as pessoas também conseguem ser sustentáveis.


Porque bem-estar não é bônus.

É base.



 
 
 

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